O Zeca morreu, viva o Zeca!
Os Zecas são uma praga. Colam-se ao poder com uma força desmesurada, quase sem darmos por eles, causando apenas uma ligeira sensação de irritação sem causa definida até ao momento em que saem do seu esconderijo!
Mas também têm qualidades. Por exemplo, são muito atentos! Percebem sempre quando o poder está para mudar e, nessas alturas, saltam imediatamente para a frente da câmara, de microfone em riste, como que a dizer: «Sr. engenheiro, sr. engenheiro, estou aqui para o que precisar!»
Todos conhecemos os nossos Zecas. E, durante uns meses, creio que todos nos divertimos aqui, pelo menos um bocadinho, a projectar esses nossos conhecidos neste ZecaNelito (e terão sido assim tantos os Zecas que projectámos?). Mas isso acabou. O ZecaNelito acaba hoje e aqui.
Acaba, porque, apesar dos figurantes que este blog foi tendo (umas vezes mais rigorosamente descritos, outras propositadamente caricaturados), ele sempre teve um, e um só, protagonista. E acabou-se a pachorra para o ZecaNelito! Acabou a pachorra para as gravatas novas, para as miúdas novas, para os vícios antigos.
Acabou, porque há um ponto em que os acontecimentos do dia-a-dia deixam de constituir uma tragicomédia. E, quando esse ponto é ultrapassado, deixamos de ter vontade de rir para ter apenas vontade de chorar! Vontade de protestar! Vontade de escrever umas quantas frases ofensivas nas paredes de uma certa estação televisiva!
A partir de hoje, o ZecaNelito deixa de ser motivo da galhofa, na esperança de que passe a ser motivo de reflexão. Não querendo parecer pretensioso, creio que, no meio das palavras que aqui foram escritas, muito se disse sobre o jornalismo e sobre a vida. Ao “matar” este meu Zeca, espero que essas palavras passem para os sítios onde verdadeiramente são precisas.


















































